3.1. Gestão da saúde deve estar associada à gestão da produtividade
    • Fundação para o Prêmio Nacional da Qualidade. Desde a versão de 2002, estabelece como um dos pontos de avaliação da gestão de qualquer empresa o foco na Qualidade de Vida (item 6.3 da versão de 2003), através do qual são avaliados os fatores relativos ao ambiente de trabalho e o clima organizacional, que asseguram o bem-estar, a satisfação e a motivação das pessoas que compõem a força de trabalho;
    • NBR ISO 9001/2000. Inclui, na atual versão, a preocupação com o ambiente de trabalho, bem como a NBR ISO18001, toda focada em questões de saúde;
    • Inovações e refinamentos na legislação envolvendo aspectos de saúde, segurança e meio-ambiente;
    • Concepção de promoção de saúde dos países de ponta, que a definem como a “ciência e arte de ajudar as pessoas a mudar seu estilo de vida em busca de um estado de saúde ótima”. Acredita-se que ambientes encorajadores provavelmente terão o maior impacto na produção de mudanças significativas (O’Donnell, 1989).

    Essas e outras forças vêm mostrar que Promoção de Saúde e Qualidade de Vida não são apenas novos termos, mas uma nova roupa com um novo conteúdo. A rápida evolução do mundo do trabalho que tanto tem influenciado e impactado os modelos de saúde vem tornando premente o estabelecimento de um novo foco: o Gerenciamento de Saúde e Produtividade. Esse foco parte de uma visão sistêmica que deixa de lado apenas a preocupação com a saúde individual do trabalhador e foca outros atores: que adianta ter os trabalhadores saudáveis se os chefes não o são? E o chefe do chefe? E o presidente da organização? E a organização como um todo? É preciso olhar a questão dentro de uma perspectiva macro para produzir um impacto positivo na produtividade e na lucratividade.

    O foco no gerenciamento de saúde e produtividade pressupõe uma gestão integrada da saúde e dos riscos de lesões, doenças e incapacidades de modo a reduzir o custo total com gastos relacionados à saúde, incluindo gastos com a assistência médica, absenteísmo desnecessário ao trabalho e perda de performance no trabalho – presentismo.
    O que faz a diferença em relação aos modelos tradicionais de promoção da saúde são aspectos como:

    1. Foco compreensível: utiliza técnicas que atuem sobre os fatos subjacentes à saúde e não somente nos fatos históricos sabidos.
    2. Intervenções estruturadas e integradas.
    3. Utilização de técnicas de medidas de resultados, refinadas.
    4. Forte orientação para prevenção em saúde.
    5. Uso de estratégias de recrutamento ativo para inscrição nos programas.
    6. Estrategicamente alinhados com a organização.
    7. Intervenção baseada no modelo de sistemas.
    8. Enfoca a saúde como estratégia maior para desenvolvimento do capital humano.
    9. Forte foco econômico sobre a organização e a pessoa.

    Por que é estrategicamente importante para todas as organizações?

    1. Necessita agir contra os efeitos do envelhecimento das populações.
    2. Necessita enfrentar as demandas progressivas da sociedade para ter cuidado com a saúde de qualidade, acessível e a custo suportável.
    3. Necessita possibilitar a elevação média da produtividade nos ambientes de trabalho.
    4. Necessita possibilitar o aumento da lucratividade das organizações.

    Em linhas gerais, a diferença entre a abordagem de gerenciamento de saúde e produtividade e as abordagens mais tradicionais é que as intervenções são feitas em pacotes e não em programas individuais e descoordenados. Eles combinam intervenções ambientais e comportamentais, visam os fatores organizacionais, ambientais e individuais ao mesmo tempo.